Fácil acesso e doações da população incentivam permanência de moradores nas ruas de Presidente Prudente, diz Creas-POP

  • 14/02/2020


Parque de Uso Múltiplo (PUM) é um dos locais escolhidos como 'moradia' por andarilhos. Moradores de ruas se aglomeraram no Parque de Uso Múltiplo (PUM) Cedida É comum observar diariamente em Presidente Prudente muitos moradores de ruas, que estão distribuídos em diferentes pontos da cidade. O Parque de Uso Múltiplo (PUM) é um dos locais que essa população escolheu como "moradia". Eles circulam em pequenos grupos ou individualmente durante o dia e no período noturno. A localização do imóvel do PUM e os serviços oferecidos por aquele espaço público, como os banheiros e chuveiros, fortalecem a presença desses moradores. Frequência de moradores de rua no PUM gera incômodo e Câmara solicita estudo 'urgente' para melhoria da segurança Prefeitura de Presidente Prudente descarta ampliação da Atividade Delegada da Polícia Militar ao Parque de Uso Múltiplo Apesar do trabalho realizado pelo Centro de Referência Especializada de Assistência Social para População de Rua (Creas-POP), atualmente, no parque, existem cinco moradores de rua fixos. Anteriormente, esse número era maior, no entanto, três pessoas passam por reabilitação, devido ao tratamento oferecido pela unidade. De acordo com dados do Creas-POP, divulgados pela assistente social e coordenadora do programa, Andressa Gonçalves da Silva, no parque são feitas abordagens diurnas e noturnas. Em 2019, essas visitas foram mais frequentes nos meses de abril, maio, agosto e outubro. "Nossa equipe acompanha e monitora o local e os arredores. Temos trabalhado essa questão de permanência no PUM, mas é difícil, pois eles identificam o espaço como de fácil acesso, onde eles conseguem as coisas, já que nas proximidades há uma grande circulação de pessoas e supermercado. Quando a pessoa contribui, isso faz com que eles fiquem permanentemente aglomerados. Além disso, ainda existem os benefícios que o PUM oferece, como os banheiros e chuveiros públicos", explicou a coordenadora ao G1. Andressa ainda explicou que, durante o trabalho de conscientização, é falado que o PUM, embora seja público, não é onde eles devem ir, mas sim o Creas-Pop, no entanto, nem todos os moradores de rua tem a prática de utilizar a unidade. O Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas), que é uma equipe constituída por três pessoas e que faz parte do Creas-POP, é o responsável pela fiscalização em pontos estratégicos de Presidente Prudente. Dayana Valeriano dos Santos, monitora social e integrante do Seas, explica que as visitas da equipe ao PUM ocorrem pelo menos uma vez por semana durante o dia e a cada 15 dias no período noturno. "Algumas pessoas que ficam nesse espaço têm moradias, mas não ficam em suas casas por conta do uso de álcool. No PUM, não há usuários de drogas e nem a comercialização de entorpecentes. Lá, os moradores de rua usam somente o álcool", salientou Dayana ao G1. O trabalho realizado no local e nas redondezas, conforme a monitora social, é feito, principalmente, com a população, na busca de que não dê as coisas que os moradores solicitam. "Ainda abordamos a questão de o local ser público e aberto. Orientamos para que não façam o uso do parque daquela forma, pois existem regras e horários, no entanto, eles enxergam o lugar como se todos pudessem utilizar, principalmente por ser público", acrescentou. Dayana contou também que, anteriormente, havia oito moradores de rua no espaço, porém, três deles passam por processo de internação para reabilitação, que tem sido feito com o acompanhamento do Creas-POP. As pessoas que permanecem por lá não utilizam a unidade de apoio e não vão para outro lugar. Entre os cinco moradores que se aglomeraram no PUM, existe apenas uma mulher, sendo que o restante é homem. Eles possuem idades entre 30 e 55 anos. Número de moradores de rua aumentou em 2019 em Presidente Prudente João Lucas Martins/G1 Dados gerais Andressa, coordenadora do Creas-POP, informou que, de 2016 a 2019, o número de moradores de rua em Presidente Prudente aumentou. Em 2016, foram registrados 148 pessoas, em 2017 o número aumentou para 153, já em 2018 a quantidade de pessoas nas ruas subiu para 187 e, em 2019, último registro contabilizado, a quantidade é de 211 pessoas nas ruas. Em um possível ranking de locais em que essa população se aglomera, a linha férrea, na Vila Mendes, é o principal ponto, seguida da Praça da Bandeira e toda sua extensão, a Praça Nove de Julho e o Terminal Rodoviário. O PUM está mais abaixo na suposta lista, conforme a monitora social Dayana, que afirmou que "o parque ocuparia o 5º ou 6º lugar, se houvesse um ranking". Número de moradores de rua aumentou em 2019 em Presidente Prudente João Lucas Martins/G1 Creas-POP Os serviços oferecidos pelo Creas-POP se baseiam em banho, café da manhã, guarda de pertences, lavagens de roupas, atividades em grupos e oficinais. Os moradores ainda recebem serviços especializados de psicologia, assistência social e orientação jurídica, além das abordagens in loco nas ruas, para identificação das pessoas e suas respectivas situações. O período da manhã é o de maior movimento na unidade e o mais fácil de trabalhar com a população de rua, segundo a coordenadora Andressa. "Durante a tarde, eles vão buscar por alimentação, pelo almoço, conseguir coisas para a própria manutenção. Nossas ofertas de serviços aumentaram bastante com o remanejamento do Camelódromo para o Terminal Urbano, por conta do território, que é mais próximo de nós", contou a coordenadora ao G1. O município, conforme a coordenadora, oferece alternativas à população de rua, como o Serviço de Acolhimento no Jardim Marupiara, que atende homens, mulheres e famílias. Tem ainda o atendimento social pela própria Assistência Social e pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Porém, Andressa enfatiza que a mudança do cenário, que é histórico, só vai ocorrer quando todos entenderem que esse trabalho vai além do serviço social. "Esse trabalho envolve muitas políticas públicas, como saúde, saúde mental, habitação e educação. Todos têm que estar envolvidos. As pessoas vão para as ruas por muitos fatores, não somente pela falta de domicílio. O fator predominante é a dependência e, se isso não for tratado, mesmo que ela saia da rua, não irá conseguir se manter fora dela", ressaltou ao G1. O trabalho do Creas-POP, de acordo com a coordenadora, é feito conforme a manifestação de interesse do assistido, pois "trabalhamos com a garantia de direitos e todos têm direito ao livre arbítrio e direito de escolha". "O trabalho é no sentido de a pessoa entender que a rua não é o fim, mas uma circunstância, um momento. Quando ela compreende isso, junto às alternativas das políticas públicas, podemos dar o suporte que é necessário. O trabalho é feito de forma individual com cada um", explicou Andressa ao G1. A questão da permanência na rua, mesmo com as possibilidades oferecidas, é bastante delicada, principalmente, porque é baseada em diversos fatores. "Vínculo rompido com familiares dificulta a situação ainda mais. Além disso, existem pessoas que se reconhecem humanos na rua, que enxergam na rua um lugar seguro, pois foi aquilo que elas viveram desde sempre", pontuou ao G1. A unidade continua o trabalho de acompanhamento mesmo após a retirada dos moradores das ruas, pois, quando isso ocorre, tem início um novo processe, que é o de inseri-los na comunidade e no mercado de trabalho, "porém, para isso, contamos com o apoio da população e das políticas públicas". Número de moradores de rua aumentou em 2019 em Presidente Prudente João Lucas Martins/G1 Número de moradores de rua aumentou em 2019 em Presidente Prudente João Lucas Martins/G1 Veja mais notícias em G1 Presidente Prudente e Região. Initial plugin text

FONTE: https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2020/02/14/facil-acesso-e-doacoes-da-populacao-incentivam-permanencia-de-moradores-nas-ruas-de-presidente-prudente-diz-creas-pop.ghtml

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